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9 de abr de 2012

104 mulheres morreram de parto em 2011 no Ceará

No ano passado, foram 104 as gestantes ou parturientes mortas no Ceará. Média de duas a cada sete dias
Vai fazer um mês, mas a família da dona de casa Ezi Costa Figueiredo, 27, não esquece como ela foi tratada quando procurou atendimento na rede pública de Fortaleza com sintomas de gripe. Grávida de quase sete meses, Ezi buscou cinco vezes atendimento na rede municipal de saúde, mas acabou perdendo o bebê e morrendo na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), em 13 de março. Gripe A (H1N1) foi o diagnóstico; doença grave em gestantes. Mas, quando isso foi descoberto, era tarde demais. “Ela foi atendida, mas não prestaram a devida atenção no problema dela. Faltou amor dos profissionais pela profissão”, avalia a tia de Ezi, Lúcia Tavares. Com a tragédia, a dona de casa se tornou número na triste estatística da mortalidade materna no Ceará. Em 2011, 104 mulheres morreram durante a gestação, o parto ou no pós-parto. Uma média de duas mulheres mortas a cada semana. No ano anterior, 2010, foram 98 óbitos. É o último levantamento da Razão de Mortalidade Materna (RMM) do Ceará feito pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), com a taxa chegando a 76,1 mães mortas a cada 100 mil nascidos vivos - a maior desde 2005, quando o índice foi de 88,5. Naquele período, a média nacional era de 68. O cálculo da RMM considera os óbitos maternos durante a gestação ou até 42 dias após o parto. A situação não é nova e o poder público diz estar tomando medidas para reduzir o índice. Porém, para gestores, médicos e profissionais da saúde ouvidos pelo O POVO, falta muito para o Estado chegar ao índice considerado “aceitável” pela Organização Mundial de Saúde (OMS): 20 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. “A mortalidade começa com pré-natal de não boa qualidade. Ele existe, todas mulheres fazem, mas nem sempre tem boa qualidade. A mulher não faz todos exames que deveria e quando está no sétimo, oitavo mês, termina o pré-natal, quando se sabe que o pré-natal vai até a hora do bebê nascer”, avalia a professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFC, Zenilda Vieira. Para o coordenador de Proteção e Promoção à Saúde do Ceará, Manoel Fonsêca, falta assistência à futura mãe. “O Programa de Saúde da Família precisa melhorar. Durante o pré-natal, na relação médico-paciente, tem que ter relação que permita acolhimento da gestante pra que ela possa dizer tudo que sente. E tem que fazer sequência de exames que possam protegê-la e proteger o bebê”, diz. É a falta de atenção a maior geradora de mortes, na avaliação da coordenadora de Políticas e Atenção à Saúde da Sesa, Vera Coelho. “Nós temos percentual de óbitos por causas evitáveis muito alto. O Ceará, se você for analisar o percentual de mortes por causas evitáveis, talvez seja um dos mais elevados (do Brasil). Por isso temos razão de mortalidade alta. Temos muitas mulheres que chegam a óbito por deficiência de cuidados”, lamenta. As desigualdades sociais, considera o doutor em Obstetrícia e diretor da Meac, Carlos Augusto Alencar Júnior, estão refletidas no número de mulheres que ainda morrem no parto. “A mortalidade materna está para além da saúde. Tem questão educacional, de visão das mulheres, noções de higiene, do auto-cuidado”, diz o ginecologista e coordenador de saúde da mulher em Fortaleza, Sílvio Carlos Rocha de Freitas. O médico preside o Comitê de Mortalidade Materna da Capital. ENTENDA A NOTÍCIA Segundo OMS, morte materna é o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o parto. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela. Não é considerada a provocada por fatores acidentais. Foto: Divulgação-terroronline Fonte: O Povo Online

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