José Alves Fernandes: uma vida dedicada às palavras - Blog do Walter Lima

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22 de mai de 2012

José Alves Fernandes: uma vida dedicada às palavras


O dicionarista faleceu na quinta-feira passada, deixando importantes contribuições para o estudo da língua --------------------------------------------------- Há 11 anos, José Alves Fernandes dava início a uma grande empreitada: reunir décadas de pesquisas sobre a origem das palavras em um "Dicionário Cronológico da Língua Portuguesa". O escritor, bibliófilo e professor cearense faleceu na última quinta-feira, dia 17, sem ver seu projeto concretizado. Aos 79 anos, Fernandes já tinha concluído todo o trabalho de catalogar os anos em que cada palavra foi usada pela primeira vez. A publicação estava acertada com a Edições UFC - editora da Universidade Federal do Ceará, dependendo apenas da liberação de recursos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult). "O que a gente mais lamenta é que ele não teve condições de esperar o lançamento do dicionário, no qual investiu tanto tempo e trabalho", diz o jornalista e professor Ítalo Gurgel, amigo do escritor. Para ele, é uma pesquisa de enorme interesse a estudiosos da Língua Portuguesa em todo o Brasil e além-mar. Gurgel conta que foi um trabalho extraordinário, em que Fernandes se dedicou à leitura de centenas de livros antigos para fazer o registro do primeiro uso de cada palavra. "Ele fez isso tudo sozinho, sem equipe. Para uma pesquisa desse porte, normalmente são necessárias 30 ou 40 pessoas". Questionada pelo jornal sobre a previsão para a liberação dos recursos para o "Dicionário Cronológico da Língua Portuguesa", a Secult não respondeu até o fechamento desta edição. Heranças José Alves Fernandes também deixa como herança o "Dicionário de Formas e Construções Opcionais da Língua Portuguesa", lançado em 2001, em um publicação conjunta das Edições UFC e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em Educação), órgão do Ministério da Educação (MEC). Este dicionário apresenta o uso tradicional e o popular das palavras, citando exemplos de como elas foram empregadas nos últimos séculos por cerca de 500 grandes escritores brasileiros e portugueses. O desafio de elaborar o único dicionário do País que mostra as variações da língua levou quase dez anos para ser concretizado. Considerado um dos mais importantes estudiosos da Língua Portuguesa no Ceará de todos os tempos, José Alves Fernandes se dedicava a mostrar a riqueza da Língua Portuguesa, em especial a praticada no Brasil, e condenava a dicotomia certo/errado tão presente entre os que procuram uma gramática ou dicionário. "Entre o certo e o errado, há uma gama de possibilidades que a língua oferece´´, afirmou o professor em entrevista ao Diário do Nordeste, em agosto de 2001. Ele defendia que devemos nos expressar segundo o ambiente e o público para o qual estamos falando. "O critério do certo é a circunstância em que se desenvolve o ato da fala", ensinava. Em 2010, quando do lançamento do "Atlas Linguístico do Estado do Ceará", com o qual colaborou, afirmou que a obra privilegiava os falares, sendo um retrato da variedade do vocabulário e pronúncia do Estado. Para ele, o fortalecimento da língua dependia mais de investimentos em educação do que de reformas ortográficas. Em sua produção escrita, destaca-se a colaboração para o "Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa". Perfil Doutor em Filosofia Românica, José Alves Fernandes era professor aposentado do Departamento de Letras Vernáculas da UFC e da Uece (Universidade Estadual do Ceará). "Era um dicionarista e lexicógrafo reconhecido nacionalmente pelo seu conhecimento da Língua Portuguesa", comenta o escritor Pedro Henrique Saraiva Leão. Leão é presidente da Academia Cearense de Letras, onde Fernandes ocupava a cadeira de número 29. "A academia perdeu uma figura solar da Língua Portuguesa", frisa. O professor era membro também da Academia Cearense da Língua Portuguesa, da qual foi presidente de 31 de março de 1990 a 10 de abril de 1992. ---------------------------------------------------------------------------------------------- * Todas as informações são da pagina do Diário do nordeste

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